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segunda-feira, 21 de março de 2011

"Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura."*

Demorei talvez a vida toda para entender o que havia de errado comigo. eu sempre fui uma boa pessoa. com seus defeitos claro: preguiçosa, as vezes egoista, cabeça dura, nunca terminando o que começo, impulsiva, ciumenta, chorona, dramatica, rebelde... acho que todos nós temos varios defeitos que se sobressaem dependendo da sua intensidade. Mas sou considerada uma pessoa boa, de boa indole, bom carater, fiel, humana, autrista, engraçada, muito inteligente... qualidades que todos temos da mesma forma, e se manifestam do mesmo jeito.
Mas desde pequena eu era diferente. Eu sofri demais. E busquei no esspiritismo resignaçao. Eu sofri violencia domestica quando criança, solidao, desprezo, mal trato psicologico, engravidei e fui mae solteira, mas nao como meus pais gostariam que eu fosse, e assim nao pude ser mae, aguentei a barra da morte do meu vô, a doença que definha minha vó, a ausencia de afeto materno, a diferença de aproximaçao das minhas irmas, culpa, loucura, abortos...
eu larguei tudo que eu comecei, literalmente até hoje. isso é a grande tristeza da minha avó. mas eu vou entregar pra ela o diploma de administraçao da unb no fim do ano, e em 2013 meu mestrado e meu consultorio.
abandonei o que mais amava: medicina. muito conhecimento, sem poder ser usufruido. que tipo de medica nao luta pra ser uma medica? porque nao aceitei ano passado a bolsa na faculdade em recife? porque nao continuei me esforçando pra fincar na unb? porque desisti inumeras vezes de ser assiste-social médica?
nao posso dizer: eu formei ou vou formar em medicina e ser neurologista, como sempre quis, antes de almejar geneticista. sim, minha avó sofre. eu sofro. e por isso, por saber que meu lugar é dentro do hospital, curando doentes, segui a psicologia clinica. e vou conseguir, espero.
"Segundo Marco Aurélio Baggio, quem melhor descreve o Ego desses pacientes, os Borderlines são pouco capazes de se empenharem numa tarefa com persistência e acuidade. Desistem do esforço e circulam em torno daquilo que é preciso fazer mas não fazem." apud site PsiqWeb.
Hoje estou me sentindo muito triste. De que adianta ser TAO INTELIGENTE, saber sobre tudo, estudar tanto, ser praticamente uma bacharel em direito, em medicina, em administraçao, em filosofia, se nada me completa? Oque eu sinto é um enorme vazio, repleto de tristeza, sem espaço pra sonhos.
"Você sempre sente que não está alcançando todo o seu potencial ? Pois saiba que esse é um sentimento comum entre adultos com TDAH. Apesar de muitos adultos com TDAH apresentarem inteligência acima da média,eles podem sentir que não conseguiram alcançar o desejado sucesso em termos acadêmicos e ou profissionais. Muitas outras dificuldades são reportadas no campo dos relacionamentos pessoais." apud site pt.shvoong.com.
"A propósito, um dos pontos que mais geram discussão entre os psiquiatras é a possibilidade de o TDAH ter efeitos colaterais “positivos”. Ainda hoje, há quem garanta que as pessoas afetadas pelo distúrbio são geralmente inteligentes e muito, muito criativas. A tese é de que o turbilhão que a todo momento passa por suas cabeças poderia facilitar, por exemplo, a livre associação de idéias – requisito típico dos processos criativos e reuniões de brainstorming.- Com freqüência, demonstram ter uma inteligência acima da média" apud site tdah.org.br
Nada disso me importa agora. só a tristeza que estou sentindo. um vazio tao grande e uma solidao que se recusa a ter compania. apenas meu travesseiro. me abraço com ele e choro. por que? por que? nao quero falar com ninguem, nao quero comer, estou farta de tomar remedios, e de nao correr atras dos meus objetivos. de amar e nao ser amado. de ser amado e nao correponder. sinto uma vontade incrivel de me ferir. me punir. me castigar. por ser uma menina má.
"O paciente Borderline freqüentemente se queixa de sentimentos crônicos de vazio. Há sempre uma propensão a se envolver em relaciona-mentos intensos mas instáveis, os quais podem causar nessas pessoas, repetidas crises emocionais. A CID.10 diz ainda que esses pacientes se esforçam excessivamente para evitar o abandono, podendo haver quanto a isso, uma série de ameaças de suicídio ou atos de auto-lesão.O suicídio completado costuma ocorrer em 8 a 10% desses indivíduos impulsivos, e os atos de auto-mutilação também impulsivos, como por exemplo, cortes ou queimaduras também são comuns.Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline se esforçam freneticamente para evitarem um abandono, seja um abandono real ou imaginado. A perspectiva da separação, perda ou rejeição podem ocasionar profundas alterações na auto-imagem, afeto, cognição e no comportamento. O Borderline vive exigindo apoio, afeto e amor continuadamente. Sem isso, aflora o temor à solidão ou a incapacidade de ficar só, em presença de si mesmo." apud site PsiqWeb.
Se pra mim já é dificil aguentar ser assim, imagina pra quem convive comigo. eu definitivamente sou um monstro. Eu faço minha vó sofrer porque estou doente, eu magoo e maltrato meus amigo, com minha ira, eu afasto as pessoas que eu amo. Eu tenho que lidar com o preconceito. Quanto preconceito!!! quanta falta de informaçao! quanta ignorancia!! As vezes acho que é o preconceito que vai levar-me ao fim da vida. As pessoas sao extremamente más. Somos loucos, insanos, psicopatas, suicidas, somos pessoas que nao merecem viver entre amigos, porque nao somos amigos, somos doentes... Quando cai a ficha de quão ruim eu sou, nem tenho vontade de chorar. me acharia dramatica, forçando a dó das pessoas. Porque eu deixei minha vida desandar depois do assedio moral na CEF? porque eles me deixaram tanto tempo num hospital psiquiatrico? porque permitiram que me dessem tantos remedios? porque nao salvaram meu bebezinho? porque depois disso tudo, eu nunca mais tirei um SS na faculdade? porque a vida se arrasta, e me trucida com as lembranças de ser mandada numa camisa de força, de ser amarrada, de ser dopada, de ser humilhada, de ser carente, de ter medo, da dor, do desespero, da solidão, da loucura e da sanidade, da luta dia apos dia pra resgatar algo que nao sou e nunca vou ser? Senhor, toda fé que me resta, deposito em Suas Mãos, porque em mim, ja nao existe credibilidade.
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música." (Nietzsche)*


sexta-feira, 17 de abril de 2009

CID 10 - Transtorno de Personalidade Histrionica


Era só o que me faltava... Agora os filhos da puta da clinica que eu to me intitularam de histrionica!
Voces querem saber que tipo de personalidade hitrionica significa? pois bem... vamos lá de novo mergulhar ao mundo da psiquiatria e suas classificações.


O Transtorno de Personalidade Histriônica ou Histérica (TPH) é uma desordem de personalidade (incluída no grupo B "dramáticos, imprevisíveis ou irregulares" - Borderline, Histriônica, Anti-Social e Narcisista), representada por pessoas dramáticas, exageradas, sedutoras, que tendem a chamar atenção para si mesmas e controlam pessoas e circunstâncias para conseguirem o que querem - manipuladores.[1] É um distúrbio de personalidade que pode ocorrer concomitante ao Transtorno de Personalidade Limítrofe (Borderline) e, por isso, compartilham várias características em comum. Além disso, histriônicos têm uma probabilidade maior de adquirir depressão do que a maioria das pessoas.(wikipédia)

Características Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno da Personalidade Histriônica consiste de um padrão invasivo de emocionalidade excessiva e comportamento de busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica sentem-se desconfortáveis ou desconsiderados quando não são o centro das atenções (Critério 1). Freqüentemente animados e dramáticos, tendem a chamar a atenção sobre si mesmos e podem, de início, encantar as pessoas com quem travam conhecimento por seu entusiasmo, aparente franqueza ou capacidade de sedução.

Tais qualidades, contudo, perdem sua força à medida que esses indivíduos continuamente exigem ser o centro das atenções. Eles requisitam o papel de "dono da festa". Quando não são o centro das atenções, podem fazer algo dramático (por ex., inventar estórias, fazer uma cena) para chamar a atenção.

Esta necessidade freqüentemente se manifesta em seu comportamento diante do clínico (por ex., adular, trazer presentes, oferecer descrições dramáticas de sintomas físicos e psicológicos que a cada consulta são substituídos por sintomas novos).

A aparência e o comportamento dos indivíduos com este transtorno com freqüência são, de maneira inadequada, sexualmente provocantes ou sedutores (Critério 2). Este comportamento é dirigido não apenas às pessoas pelas quais o indivíduo demonstra um interesse sexual ou romântico, mas ocorre em uma ampla variedade de relacionamentos sociais, ocupacionais e profissionais, além do que seria adequado para o contexto social.

A expressão emocional pode ser superficial e apresentar rápidas mudanças (Critério 3). Os indivíduos com este transtorno usam consistentemente sua aparência física para chamar a atenção (Critério 4).

Eles empenham-se excessivamente em impressionar os outros com sua aparência e despendem tempo, energia e dinheiro excessivos para se vestir e se arrumar. Eles podem "caçar elogios" pela sua aparência e se aborrecer com facilidade e em demasia por algum comentário crítico acerca de como estão ou por uma fotografia na qual, em sua opinião, não saíram bem.

Esses indivíduos têm um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes (Critério 5). Fortes convicções em geral são expressadas com talento dramático, porém com um embasamento vago e difuso, sem fatos e detalhes corroborantes. Por exemplo, um indivíduo com Transtorno da Personalidade Histriônica pode comentar que determinado indivíduo é uma pessoa maravilhosa, porém ser incapaz de oferecer quaisquer exemplos específicos de boas qualidades que confirmem sua opinião.

Os indivíduos com este transtorno caracterizam-se por autodramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada (Critério 6). Eles podem embaraçar amigos e conhecidos por uma excessiva exibição pública de emoções (por ex., abraçar conhecidos casuais com um ardor exagerado, soluçar incontrolavelmente em ocasiões sentimentais de pouca importância, ou ter ataques de fúria).

Entretanto, suas emoções com freqüência dão a impressão de serem ligadas e desligadas com demasiada rapidez para serem profundamente sentidas, o que pode levar a acusações de que estão fingindo.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica têm um alto grau de sugestionabilidade (Critério 7).

Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por tendências do momento. Eles podem ser confiantes demais, especialmente em relação a fortes figuras de autoridade, a quem vêem como capazes de oferecer soluções mágicas para seus problemas. Eles apresentam uma tendência a curvar-se a intuições ou adotar convicções prontamente.

Os indivíduos com este transtorno muitas vezes consideram os relacionamentos mais íntimos do que são de fato, descrevendo praticamente qualquer pessoa recém conhecida como "meu querido, meu amigo" ou chamando um médico visto apenas uma ou duas vezes sob circunstâncias profissionais por seu prenome (Critério 8). Devaneios românticos são comuns.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica podem ter dificuldade em adquirirem intimidade emocional em relacionamentos românticos ou sexuais. Eles com freqüência representam um papel (por ex., "vítima" ou "princesa") em seus relacionamentos, sem se dar conta disto. Eles podem, em um nível, tentar controlar seu parceiro através da manipulação emocional ou sedução, enquanto exibem acentuada dependência em outro nível.

Os indivíduos com este transtorno muitas vezes têm relacionamentos deficientes com amigos do mesmo sexo, porque seu estilo interpessoal sexualmente provocante pode parecer uma ameaça aos relacionamentos dos amigos.

Esses indivíduos também podem afastar os amigos com suas exigências de constante atenção. Eles freqüentemente ficam deprimidos e aborrecidos quando não são o centro das atenções. Eles podem ser ávidos por novidades, estimulação e excitação e ter uma tendência a entediar-se com sua rotina habitual.

Estes indivíduos em geral manifestam intolerância ou frustração por situações que envolvem um adiamento da gratificação, sendo que suas ações freqüentemente são voltadas à obtenção de satisfação imediata.

Embora muitas vezes iniciem um trabalho ou projeto com grande entusiasmo, seu interesse pode desaparecer rapidamente. Os relacionamentos a longo prazo podem ser deixados de lado para dar lugar a relacionamentos novos e excitantes.

O risco real de suicídio é desconhecido, mas a experiência clínica sugere que os indivíduos com o transtorno estão em maior risco para gestos ou ameaças de suicídio para chamar a atenção e coagir os outros a um maior envolvimento. O Transtorno da Personalidade Histriônica tem sido associado com taxas superiores de Transtorno de Somatização, Transtorno Conversivo e Transtorno Depressivo Maior.

Existe, freqüentemente, a co-ocorrência de Transtornos da Personalidade Borderline, Narcisista, Anti-Social e Dependente. fonte:http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=159

Diagnósticos diferenciais

Na personalidade borderline (limítrofe), apesar das duas personalidades terem em comum muitas características, como a instabilidade emocional, hipersensibilidade às rejeições, grande dependência afetiva, manipulação emocional, impulsividade, intolerância ao tédio e monotonia e sofrem de dissociações, deve-se ter em conta que borderlines costumam ter uma grande desregulação emocional, com pensamento de cisão-extremo (amar totalmente ou odiar totalmente), idealizam e se apaixonam rapidamente por pessoas recém-conhecidas, querem compartilhar segredos ou saber tudo da vida da pessoa recém-conhecida, fazem esforços excessivos para evitar um abandono, ficam bravas ou irritadas facilmente, têm uma impulsividade frequentemente auto-destrutiva, com tendências compulsivas como drogadição, alcoolismo, cleptomania, comer compulsivo e são pessoas frequentemente irritadiças, com grande sentimento de raiva evidente com explosões de ira. Histriônicos tendem a reagir sempre depressivamente e aos choros, enquanto que borderlines tendem a reagir de forma raivosa ou explosiva. Além disso, seus relacionamentos, assim como histrionicos, são instáveis, entretanto, borderlines têm relações intensas e ainda costumam ter relacionamentos sociais desgastados, enquanto que histriônicos tendem a ter um bom relacionento social, contudo, superficial. Outra grande diferença também, está na preocupação excessiva com a aparência física do histriônico, levando, às vezes, às distorções corporais. Borderlines, entretanto, têm instabilidade da imagem corporal o que leva às distorções, diferente dos histriônicos que procuram incansavelmente chamar atenção com a aparência física sedutora, podendo levar às distorções da imagem. Além disso, borderlines não costumam erotizar relações não-sexuais e não têm uma tendência sedutora, como histriônicos.(wikipédia)

Bom, eu sinceramente, sinto muito pelos que sao histrionicos...mas os imbecis que falaram que eu sou isso vao me pagar, porque eu to com tanta raiva! que merda. nao basta a gente ser doente, temos que conviver anos entre dezenas de diagnosticos. Eu convivi anos, pensando ser bipolar. me revoltei contra Deus e o diabo a quatro. Depois me resignei quando me contaram que eu sofria de despersonificaçao, que tinha Transtorno de Persnonalidade Boderline. estudei e apredi a viver como uma boderline, agora anos depois vem um bando de vagabundo mudar meu diagnostico de novo??? fora que eu nunca deixei de ser bipolar (31.3) e TDHA.
Oque eles querem??? me endoidar? É por isso que eu nao fico falando pros psiquiatras que escuto vozes como o personagem da novela. porque vao me dar mais remedio. E é disso que esses filhos da mae vivem: da industria farmaceutica, que jogam remedios cada vez mais caros no mercado.
E nossas familias? e nossos amigos? Acabamos com nossa vida pessoal e que se danem, porque ninguem vai procura-los pra explicar que estamos doentes. E dai? e dai brigamos, machucamos, humilhamos, nos afastamos, brincamos, odiamos, amamos, e nao sabemos controlar tantos sentimentos. explodimos como bombas. em quem estiver mais próximo.
É CULPA DA FALTA DE JESUS NO SEU CORAÇAO MINHA FILHA!!! SE APEGUE A DEUS!

PORRA. TIREM DEUS DESSA HISTÓRIA. nao mexam com religiao. deixem as coisas como são. nascemos assim. nos ajudem.queremos ajuda, porque os medicos nao nos ajudam. nos destroem, e nos enchem de remedios. e nós nos destruimos ao perceber que destruimos as pessoas que mais amamos.

por que... por que, é tão dificil? todo dia, todo dia, todo dia...

sábado, 4 de abril de 2009

CID -1O:Transtorno de personalidade boderline.


POST RETIRADO DO MEU OUTRO BLOG, a respeito da personalidade boderline. explicando um pouco melhor o que é!

Hoje eu li uma reportagem muito interessante na revista VIVA SAÚDE - edição 22, fevereiro 2008

Ela fala sobre o transtorno de personalidade boderline. Bem Há muitos, minha psiquiatra que mais ficou comigo, dizia sempre: voce não é bipolar, voce tem transtorno de personalidade. Esse tipo de doença psiquiatrica é muito pior do que o Disturbio Bipolar de Humor, pois não há um tratamento correto, muito menos cura. Meu ultimo diagnostico psiquiatrico tambem mudou o cid de trantorno afetivo bipolar, para transtorno de personalidade. Pra arrematar, meu psicologo ainda deu exemplos de varios transtornos de personalidade, o mais famoso deles é o boderline. Já passei por esse diagnóstico mais especifico, e achei muito, mas muito explicativa a matéria sobre o assunto. Vejamos a seguir alguns trechos tirados na integra.

Na fronteira da insanidade
O indivíduo não é neurótico e nem psicótico, mas vive em uma linha sutil entre esses dois estados e a normalidade. Freqüentemente é confundido com o depressivo, mas na verdade sofre de transtorno de personalidade borderline.
É provável que você conheça uma pessoa assim: parece bem, estuda ou trabalha, é produtiva e bem relacionada, sai à noite, bebe demais, causa confusões - embriagada ou não. Um indivíduo que age normalmente a maior parte do tempo, até de repente ter um senhor ataque e brigar com meio mundo, com extrema ferocidade. Ou que trabalha com ótima performance até ter impulsos irresistíveis e fazer várias besteiras - e achar que está certo.
Mas um detalhe chama a atenção: essa pessoa irrita-se com mais facilidade que o normal e sai de seus ataques de cólera como se nada houvesse acontecido e nem entende por que o outro ficou magoado, como se tivesse dificuldade em apreender a realidade. Pois existe uma dificuldade mesmo, já que sofre de uma doença - o transtorno de personalidade borderline. "Esse paciente não é psicótico nem neurótico, mas tem características de neurose e psicose," explica o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "E todo mundo (inclusive ele mesmo) acha que esse é apenas o seu jeito de ser. Só que é um jeito de adoecer.Não há estatísticas sobre sua incidência, mas o psicanalista Mauro Hegenberg, em seu livro Borderline (editora Casa do Psicólogo), coloca que, segundo os tratados de psiquiatria, ele ocorre em 2% da população em geral - e atinge três vezes mais as mulheres.
Segundo o DSM-IV (sigla em inglês correspondente a Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais), o problema começa a se manifestar no início da idade adulta e pode ser indicado por cinco (ou mais) dos seguintes sintomas:
1. Esforços frenéticos para evitar o abandono, real ou imaginado.
2. Padrão de relações interpessoais intensas e estáveis, que é caracterizado por alternância extrema entre a idealização e a desvalorização.
3. Perturbação da identidade: existe uma instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento do próprio indivíduo.
4. Impulsividade pelo menos em duas áreas que são potencialmente autolesivas - gastos, sexo, abuso de substâncias tóxicas, dirigir perigosamente, voracidade alimentar.
5. Gestos ou ameaças recorrentes de suicídio ou comportamento automutilante, ferindo-se.
6. Instabilidade afetiva marcada por variação de humor, como episódios intensos de disforia, irritabilidade ou ansiedade, que tê.m duração de poucas horas até alguns dias.
7. Sentimento crônico de vazio.
8. Raiva exagerada e inapropriada, ou dificuldade de a controlar.
9. Concepção paranóide transitória reagente ao estresse ou sintomas dissociativos em nível grave.
Alguns borderlines ameaçam cometer suicídio, enquanto outros se machucam com freqüência, cortando-se ou queimando-se. "Na maioria das vezes, eles não querem se matar e sim sentir uma dor física mais intensa que a dor psíquica, o que lhes traz um certo alívio", explica Vanda Di Iório. "É por isso também que o doente se acalma quando entra em uma briga violenta em família: depois da discussão todos ficam mal, mas ele, como descarregou sua tensão, age como se nada de importante tivesse acontecido - e espera o mesmo comportamento dos demais", completa a psicóloga. O indivíduo não possui uma identidade definida: não sabe direito quem é, o que quer, quais são seus valores preferenciais. Tem dificuldade - real - de avaliar as conseqüências de seus atos e de aprender com a experiência, e assim segue repetindo os mesmos erros (e ninguém entende por quê). Ou seja, o borderline sofre e faz sofrer. Os que o cercam se cansam e se afastam porque ele é imprevisível e muito exigente. E aí acontece justamente o que o mais teme - ser abandonado.
Todos precisam de ajuda
O tratamento de borderline leva vários anos e deve ser feito por uma equipe multidisciplinar bem integrada: um psicoterapeuta, um psiquiatra e um terapeuta de família. O doente precisa de medicação, por isso o apoio do psiquiatra é imprescindível - em diversos casos ele medica e também atende o indivíduo. Os remédios utilizados são os estabilizadores de humor e também os inibidores de recaptação de serotonina e medicamentos que agem na noradrenalina e na dopamina, diminuindo a ansiedade e a impulsividade e melhorando a persistência.

Como tudo começa
O transtorno se forma provavelmente a partir da combinação de três fatores: a própria constituição da pessoa, a dinâmica familiar e o meio social. Segundo a psicóloga Vanda Di Iório, algumas crianças exigem muita atenção por parte de seus cuidadores, que podem não estar preparados para tal demanda e responder de forma insatisfatória a essa vulnerabilidade do bebê.

Esse desencontro pode desencadear níveis primários e altos de insatisfação antes que o indivíduo tenha desenvolvido um aparelho psíquico para tolerar seus impulsos agressivos, o que gera os sentimentos paradoxais sempre presentes no borderline: raiva, agressão e medo de abandono. "O doente quer ser livre para fazer o que tem vontade, ao mesmo tempo em que deseja ser cuidado e protegido. Esse conflito aparece desde cedo e é reforçado pela ambivalência familiar, que dessa forma não é capaz de ajudar a criança a desenvolver habilidades para regular a experiência e a expressão de seus afetos.

Essa interação inadequada ao longo dos anos cria seqüelas que interferem de forma distorcida na percepção de si e do mundo. E como ela se organiza emocionalmente em função dessas percepções, dá para entender por que cresce tão confusa", explica a especialista. O distúrbio pode dar os primeiros sinais na adolescência, mas é bem difícil distingui-lo, já que o próprio adolescente é rebelde e vive uma crise-limite, muitas vezes com comportamento 'auto-destrutivo'. Em geral o diagnóstico é feito a partir dos 20 anos ou bem mais tarde.

Bom, aí esta a reportagem, muito boa por sinal, que eu resolvi reproduzir aqui. Achei muito explicativa, principalmente a parte que coloca o sofrimento e o não entendimento da família.
Acho que expor o sofrimento de quem, como eu tem esse tipo de doença é muito util. O preconceito que vive uma pessoa que é portadora de qualquer doença psíquica é estrondoso. Somos marcados pelo resto da vida como: pessoas loucas, pessoas que surtam a qualquer tempo, pessoas que vivem de remédios, pessoas "coitadinhas".

Mas ninguém pode imaginar a dor que é a idéia fixa de suicídio, quando ela surge bruscamente do nada. Eu como espírita, confesso o grande medo que tenho. Medo de um dia conseguir o que algumas vezes eu tentei, sem estar no meu juízo perfeito, porque acho que a vida é maravilhosa, e eu me orgulho muito das minhas qualidades, enquanto adotei a filosofia de vida de tentar mudar meus defeitos. Não é fácil, mas é necessário para nosso crescimento enquanto ser-humano.

As vezes penso que esta escrito na minha testa: voce é uma doente-suicida. E nao sou. Na verdade lutar contra isso é o que mais eu tenho feito nos ultimos 7 anos da minha vida. E apesar de sermos, segundo a estatística mostrada na matéria da revista, apenas 2%, somos parte de um contingente de pessoas que sofrem durante anos com diagnósticos errados, e a falta de informação aos nossos familiares e amigos.

É de suma importância que esse tipo de informação seja divulgado. Mesmo pelos que sofrem de qualquer outra patologia psiquiátrica. Quando eu estava no auge da anorexia, descobri que esta é a doença psiquiátrica que mais mata no mundo. Eu nao duvido disso, pois pra mim não comer era uma firma inconsciente e legal (no sentido jurídico e social) de me matar. Acho que essa reportagem explica porque eu boicotava meu próprio corpo, minha saúde, e sofria com fraquezas até a desnutrição e a hospitalização.

Então, senhoras e senhores, antes de abandonar uma pessoa querida, por achar que ela tem um "gênio forte", procurem saber de um especialista até onde vai a personalidade de uma pessoa, ou se ela sofre de algum distúrbio de sua personalidade. Não temos culpa dessa doença, mas somos responsáveis pelos nossos atos, mesmo estando doente. Só é preciso que as pessoas que amamos saibam o que acontece dentro de um cérebro como o nosso.